A Publicidade do Jogo: um Equilíbrio Delicado Entre o Benefício Empresarial e a Proteção do Consumidor

A publicidade de jogos é uma das formas mais eficientes de promover a atividade das empresas de cassinos, loterias, apostas esportivas e jogos online. Com a ascensão da indústria do jogo nos últimos anos, especialmente nos países onde essa atividade foi legalizada, a publicidade se tornou uma ferramenta fundamental para atrair novos clientes e fidelizar os já existentes. No entanto, a propaganda de jogos também tem efeitos negativos na sociedade, como a compulsão ao jogo, a falência financeira, a deterioração da saúde mental e a propagação de comportamentos antiéticos. Por isso, a regulamentação e o controle da publicidade de jogos são temas urgentes e complexos que requerem uma análise crítica.

A publicidade de jogos é um setor em constante mudança e crescimento. Segundo a Associação Europeia de Jogos e Apostas (EGBA), o mercado europeu de jogos online cresceu 7% em 2019, atingindo um faturamento de € 24,7 bilhões. Desse total, a publicidade representou uma fatia significativa dos gastos das empresas do setor, especialmente nas redes sociais, na televisão e nos patrocínios de eventos esportivos. No entanto, a propaganda de jogos também é um tema sensível, que tem sido alvo de críticas por parte de grupos de defesa do consumidor, organizações de saúde e entidades reguladoras.

Um dos efeitos negativos da publicidade de jogos é a compulsão ao jogo, um transtorno psicológico que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o jogo patológico é classificado como um distúrbio do controle do impulso, que se caracteriza pelo comportamento persistente e recorrente de jogo, apesar das consequências negativas para a vida pessoal, social, econômica e emocional do indivíduo. A publicidade de jogos pode agravar esse quadro, pois ela pode criar uma falsa sensação de segurança e glamour em relação ao jogo, além de apelar para a crença em falsas promessas e recompensas.

Outro efeito negativo da publicidade de jogos é a falência financeira e o endividamento, que afetam muitas pessoas que se envolvem em jogos de azar e perdem sua capacidade de gerir sua vida financeira. A propaganda de jogos pode exagerar seus lucros e minimizar os riscos econômicos envolvidos nesses jogos, o que pode levar a investimentos errados e a perdas significativas para os clientes. Além disso, a publicidade de jogos pode contribuir para a propagação de comportamentos antiéticos, como a trapaça, a manipulação e a corrupção, que afetam a integridade dos jogos e a confiança do público.

Diante desse cenário, a regulação publicitária dos jogos é uma questão crucial para garantir a proteção do consumidor, a transparência do mercado e a segurança da atividade. Em Portugal, por exemplo, a publicidade de jogos é regulada pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), que estabelecem regras rígidas para a propaganda de cassinos, loterias e apostas esportivas. Essas regras incluem limites de horários, conteúdos éticos, advertências sobre os riscos do jogo e restrições à publicidade dirigida a menores de idade.

Além da regulação publicitária, a responsabilidade social empresarial é um fator importante para a indústria do jogo enfrentar os desafios da publicidade de jogos. As empresas do setor podem adotar práticas de responsabilidade social, como a promoção de campanhas educativas sobre os riscos do jogo, a inclusão de cláusulas éticas nos contratos publicitários e a colaboração com organizações de saúde e defesa do consumidor. Essas práticas podem contribuir para a conscientização e a prevenção do jogo patológico e para a garantia de um ambiente justo e transparente para a atividade.

Em resumo, a publicidade de jogos é um tema complexo e polêmico que suscita questões éticas, sociais e políticas. Se por um lado a propaganda de cassinos, loterias e jogos online é um fator importante para o crescimento econômico e a criação de empregos em muitos países, por outro lado ela tem efeitos negativos na sociedade, como a compulsão ao jogo, a falência financeira, a deterioração da saúde mental e a propagação de comportamentos antiéticos. Por isso, é fundamental que a publicidade de jogos seja regulada e controlada por entidades públicas e privadas, que estabeleçam regras claras e rígidas para a propaganda e que promovam práticas de responsabilidade social empresarial para as empresas do setor de jogos. Somente assim será possível alcançar um equilíbrio delicado entre o benefício empresarial e a proteção do consumidor.